Há uma altura do ano em que fico sempre deprimido, escondo-me em casa e rezo para que não me chateiem porque senão ainda espanco alguém: no meu aniversário.
Acho que nunca gostei de fazer anos, nunca! É uma data que, pelo menos desde os 12 anos, me fica atragantada. Dá-me uma comichão do lado de dentro da nuca e uma agressividade que atinge o auge anual. Isso faz com que nunca tenha tido um jantar de anos, nunca! E ainda bem! Isto de apanhar jardas em altura de entregas finais e frequências nem dá com nada, e ainda para mais quando eu odeio celebrar a data...
Vejamos, desde dia 7 que tenho 27 anos, 27! Eu deixei de contar aos 23, mas parece que são 27! E sabem que mais? A pila não cai aos 27, posso pelo menos atestar isso. Mas de resto não estou a ficar mais inteligente, ou ainda mais bonito, ou mais saudável ou mais sábio! Nada disso! Estou a ficar simplesmente velho.
Não, não, não quero dizer que ache que os 27 são uma má idade e que quem tem mais anos devia estar num lar de terceira idade, nada disso! Mas como eu já tenho joelhos meio destruídos e uma saúde meio manhosa, sinto-me incrivelmente perto dum buraco no chão,
if you know what I mean... E nestas alturas então dá-me sempre para pensar na morte.
Ora bem, a morte. Se há coisa que é inútil é pensar na única coisa que não conseguimos evitar, pois todos caminhamos para lá, mesmo enquanto estamos a divertir-nos. E para isso é que existe a religião. Quando era pequeno lia muitos livros filosóficos, daqueles que hoje em dia considero inúteis, e num deles li que a religião era um instrumento criado pelo
Homem para o
Homem, por forma a podermos fazer a nossa vida sem pensar na morte, esperançados num
afterlife em que um tribunal acusará as pessoas más, e as mandará para o único sítio disponível onde há sexo. E acredito nisso, não na parte do sexo, ou na parte do
Inferno, ou sequer no
afterlife, mas sim no facto de nós precisarmos enquanto espécie dessa parte da religião, a parte que nos dá esperança que esta limitada
lifespan não é tudo aquilo a que temos direito, porque nos achamos mais do que simples animais.
Eu pessoalmente acredito que depois disto não há nada, mas nós não teremos consciência e nem sequer existiremos, pelo que não custará nada morrer, custa o caminho até lá chegar. E se não for como eu penso que é, se tivermos mais vidas para nascer, viver e morrer... não será estúpido fazermos tudo de novo?!
Claro que há situações que me fazem duvidar de tudo isso, experiências estranhas (
everyone got one!), mas mesmo assim... é possível enganar os sentidos né?
Enfim, se existir um
afterlife eu devo ir para o
Inferno porque o
Céu parece muito enfadonho...
A morte é o último inimigo a ser vencido,
Kenny.