Estou agora numa encruzilhada. De um lado tenho uma porta que me leva ao local donde surgem os sonhos, aqui deste lado tenho apenas frio, o barulho de uma ribeira ao fundo e um emaranhado de pensamentos que há muito descarrilaram, não fazendo agora qualquer sentido. Mas eu penso na mesma. Racionalizo tudo. Olho pela janela e vejo as luzes nocturnas a bruxelear, o vento a abraçar as árvores e a majestosa montanha a guardar a paisagem, como uma mãe cuidadosa. A janela está fria, aliás, gelada. O ar quente que expiro deixa a sua marca no vidro e eu volto a reflectir, o que faço aqui? Deveria ir? Deveria ficar? A resposta é-me clara, mas sinto medo.
Medo de falhar. Deve ser o tipo mais idiota de medo que existe à face deste planeta. Não faz sentido, não me faz sentido. Eu sou melhor que isto. Mas tenho medo. Medo de quê? Não faz sentido! Sei exactamente que não há razão para ter medo, nem lógica, nem algo racional ou mesmo emocional. Se não consigo deslumbrar a causa como é possível que sinta um efeito tão pesado? Medo de quê?!
Volto as costas à janela, navego naquela divisão perdida, nova, inimaginada e vazia. Vejo cordas, um braço... uma guitarra! Alguém deixou a sua menina aqui, por forma a que eu pudesse encontrar algum consolo. Mas a guitarra não é minha, olho-a, vejo-me a tocá-la, vejo-me a domar as cordas, passando o dedo suavemente pelo braço da guitarra, ouvindo a sua melodia que me acalma e me fortalece. Mas a guitarra não é minha, e eu respeito isso. Sempre vi uma guitarra como uma amiga, uma extensão do proprietário, uma forma de escape e dar forma aos sonhos. Portanto não a toco, nem lhe toco, miro apenas. Só isso acalma-me.
Sinto que hoje me foi revelada uma informação importante, mas falta-me algo, e eu temo. Como temo! Sento-me num sofá, ganhando assim vista privilegiada sob a janela e a paisagem. O Sol entretanto já nasceu. Como o tempo passa! E eu não saí daqui. O excesso de zelo deixou-me aqui, mesmo sabendo que nada iria correr mal, que tudo se iria desenrolar como uma dança já ensaiada, que seria perfeito - tudo o que quero.
Tenho medo!
Agora que a luz do Sol me aquece, que a Lua se desvanece, agora ganho coragem, mas agora é tarde. O sítio onde se criam sonhos está vazio, e o meu sonho vai esperar. Perdi uma noite a pensar quando devia ter sentido.
Mas amanhã a noite volta, e com ela a Lua. Kenny.
PS:
O Sol por momentos desaparece, a Lua surge radiante e parece guiar-me para a Terra Prometida. Segui-a a medo, terrível e inexplicável medo, e terminei lá, onde precisava de estar: na máquina de sonhos.
- Obrigado.
- Porquê?
- Por me teres ido buscar.
- Parvo!
O medo ainda estava comigo, será o último inimigo a ser vencido, mas não me controlava, apenas me conseguia sussurrar inseguranças, a que eu não atendia. Estava na Terra dos Sonhos!
E eu sonhei. Kenny.
PPS: Isto não faz sentido algum e eu odeio ler este tipo de postagens noutros blogs mas olhem: temos pena! xD
Hoje a Lua estará mais próxima da Terra que nos últimos 18 anos. : )
E pronto, lá foram os US of A meter a colher na Líbia, atacando com misseis de cruzeiro várias posições ocupadas pelo governo Líbio. Fontes oficiais americanas dizem que atacaram artilharia anti-aérea para que a França pudesse patrulhar a zona de exclusão aérea, decretada pela ONU. Mas fontes líbias garantem que várias casas de habitação foram atingidas. Porque é que os Estados Unidos têm de meter a colher em tudo o que mexe? E já se fala em ataque terrestre para poderem assegurar que a produção de gás natural não pára! :|
A União Africana já se declarou contra qualquer ataque estrangeiro na Líbia. E as respostas de Rússia e China provavelmente serão da mesma índole.
Depois os americanos admiram-se por serem odiados um pouco por todo o mundo. Pudera!
Uma amiga ( sort of ) dos tempos do liceu foi para o Japão após a licenciatura. Veio a Portugal à já mais de 5 anos e combinou um café, com o propósito - pensava eu! - de me espetar na cara o facto de ser feliz no outro lado do mundo.
Nada disso! Estava uma pessoa diferente. Falou-me de uma cultura completamente diferente, em que se podia perder a carteira tendo quase a certeza que lhe seria entregue eventualmente, falou-me da impressionante disparidade entre o Japão industrializado e o Japão rural, falou-se da beleza da língua, das palavras portuguesas que ainda constavam no dicionário japonês, falou-me em japonês (provavelmente chamou-me nomes), falou-me da religião, de como o Japão era fantástico e tudo o que eu poderia querer. Deixou-me com uma vontade indescritível de ir para esse país do Sol Nascente algum dia, visitar o Monte Edo, ver as árvores de que me falou em flor, pintando um quadro cor-de-rosa magnífico. Só tomámos esse café, que durou meio-dia, e separámos-nos indefinidamente. Ela voltou para o Japão e eu voltei para a minha vida pacata.
Sendo que ando sem tempo, caso quem me leia esteja numa situação semelhante, fique sabendo que dia 11 deste mês ocorreu um tenebroso sismo, que causou um maremoto (tsunami se preferirem) de elevadas proporções que devastou o Este do Japão.
É verdadeiramente trágico assistir a este vídeo e imaginar o terror que não será ver o mar galgar o paredão, arrastando tudo à sua passagem. É uma situação horrível que espero nunca viver. As estatísticas de hoje falam-nos de mais de 3 mil mortos e mais de 14 mil desaparecidos!
No entanto, nem tudo é terrível... ou como diz Murphy, podia ser pior. O Japão é o país que melhor preparado está para uma catástrofe deste estilo:
Todas as novas construções nas zonas industrializadas implementam tecnologias anti-sismo.
As cidades costeiras têm geralmente um paredão que separa o cais da cidade (semelhante ao que se pode ver na Costa da Caparica, se bem me recordo. :S ).
As autoridades são preparadas para este tipo de situações.
A cultura japonesa ajudará a elevar o país à sua antiga condição.
Um jornalista estrangeiro ficou surpreendido quando reparou que não havia pilhagens no Japão, algo que acontece _sempre_ quando ocorrem este tipo de desastres. Tem a ver com cultura, orgulho nacional, o facto de os lojistas (mostly) que se safaram terem baixado os preços a tudo e oferecido bens essenciais (água e pão).
E agora vocês pensam: "Ah e tal este gajo é maluco! Estará mesmo a ver lados positivos nisto?!". Imaginem que isto acontece em Portugal, um sismo com epicentro ao largo de Lisboa, a uns 100 Km... A baixa pombalina... Alfama, Santos, as zonas costeiras a enfrentar um tsunami que chegou a atingir 10 metros! E que resposta Portugal conseguiria dar?
Enfim, pelo menos não temos poder nuclear com o qual nos preocupar... a menos que os submarinos se espetem contra os pilares da Ponte 25 de Abril (its a joke!). :)
Não se preocupem, a rapariga em questão está boa de saúde. : )
Odeio catástrofes naturais,
Kenny.
PS: Acabo de reparar que me esqueci de referir algo importante: Google. Mal apareceram os primeiros avisos de sismo no Japão, a Google Japão inseriu no motor de busca um aviso que um enorme maremoto se dirigia para o continente (que foi depois alastrado para outros países do sudeste asiático ). E depois do sismo criou mecanismos para as pessoas se encontrarem umas às outras, uma forma simples de doar e um gabinete de crise. Google did well (don't be evil, for once), Facebook did nothing. :x