sábado, 19 de março de 2011

A Terra dos Sonhos

O Sol e a Lua a partilharem o céu. Daqui.
    Estou agora numa encruzilhada. De um lado tenho uma porta que me leva ao local donde surgem os sonhos, aqui deste lado tenho apenas frio, o barulho de uma ribeira ao fundo e um emaranhado de pensamentos que há muito descarrilaram, não fazendo agora qualquer sentido. Mas eu penso na mesma. Racionalizo tudo. Olho pela janela e vejo as luzes nocturnas a bruxelear, o vento a abraçar as árvores e a majestosa montanha a guardar a paisagem, como uma mãe cuidadosa. A janela está fria, aliás, gelada. O ar quente que expiro deixa a sua marca no vidro e eu volto a reflectir, o que faço aqui? Deveria ir? Deveria ficar? A resposta é-me clara, mas sinto medo.

    Medo de falhar. Deve ser o tipo mais idiota de medo que existe à face deste planeta. Não faz sentido, não me faz sentido. Eu sou melhor que isto. Mas tenho medo. Medo de quê? Não faz sentido! Sei exactamente que não há razão para ter medo, nem lógica, nem algo racional ou mesmo emocional. Se não consigo deslumbrar a causa como é possível que sinta um efeito tão pesado? Medo de quê?!

    Volto as costas à janela, navego naquela divisão perdida, nova, inimaginada e vazia. Vejo cordas, um braço... uma guitarra! Alguém deixou a sua menina aqui, por forma a que eu pudesse encontrar algum consolo. Mas a guitarra não é minha, olho-a, vejo-me a tocá-la, vejo-me a domar as cordas, passando o dedo suavemente pelo braço da guitarra, ouvindo a sua melodia que me acalma e me fortalece. Mas a guitarra não é minha, e eu respeito isso. Sempre vi uma guitarra como uma amiga, uma extensão do proprietário, uma forma de escape e dar forma aos sonhos. Portanto não a toco, nem lhe toco, miro apenas. Só isso acalma-me.

    Sinto que hoje me foi revelada uma informação importante, mas falta-me algo, e eu temo. Como temo! Sento-me num sofá, ganhando assim vista privilegiada sob a janela e a paisagem. O Sol entretanto já nasceu. Como o tempo passa! E eu não saí daqui. O excesso de zelo deixou-me aqui, mesmo sabendo que nada iria correr mal, que tudo se iria desenrolar como uma dança já ensaiada, que seria perfeito - tudo o que quero.

    Tenho medo!

    Agora que a luz do Sol me aquece, que a Lua se desvanece, agora ganho coragem, mas agora é tarde. O sítio onde se criam sonhos está vazio, e o meu sonho vai esperar. Perdi uma noite a pensar quando devia ter sentido.

Mas amanhã a noite volta, e com ela a Lua.
Kenny.


PS:
O Sol por momentos desaparece, a Lua surge radiante e parece guiar-me para a Terra Prometida. Segui-a a medo, terrível e inexplicável medo, e terminei lá, onde precisava de estar: na máquina de sonhos.

- Obrigado.
- Porquê?
- Por me teres ido buscar.
- Parvo!

O medo ainda estava comigo, será o último inimigo a ser vencido, mas não me controlava, apenas me conseguia sussurrar inseguranças, a que eu não atendia. Estava na Terra dos Sonhos!

E eu sonhei.
Kenny.


PPS: Isto não faz sentido algum e eu odeio ler este tipo de postagens noutros blogs mas olhem: temos pena! xD
Hoje a Lua estará mais próxima da Terra que nos últimos 18 anos. : )

Damn the US.

E pronto, lá foram os US of A meter a colher na Líbia, atacando com misseis de cruzeiro várias posições ocupadas pelo governo Líbio. Fontes oficiais americanas dizem que atacaram artilharia anti-aérea para que a França pudesse patrulhar a zona de exclusão aérea, decretada pela ONU. Mas fontes líbias garantem que várias casas de habitação foram atingidas. Porque é que os Estados Unidos têm de meter a colher em tudo o que mexe? E já se fala em ataque terrestre para poderem assegurar que a produção de gás natural não pára! :|

A União Africana já se declarou contra qualquer ataque estrangeiro na Líbia. E as respostas de Rússia e China provavelmente serão da mesma índole.

Depois os americanos admiram-se por serem odiados um pouco por todo o mundo. Pudera!

Damn warmongers,
Kenny.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ainda a Geração à Rasca

Mas com humor. xD

O I_CAN é que me passou o link há um mês e tal! : )

Eu ainda pensei em candidatar-me mas oferecem disfarces e eu não sou o Roger. :S

Mas quando os raios mortíferos avariarem podem contar comigo para os testar!
Kenny.

quarta-feira, 16 de março de 2011

The Offspring - Fix You



...And I wish you could fix me.
Kenny.

Japão

Uma amiga ( sort of ) dos tempos do liceu foi para o Japão após a licenciatura. Veio a Portugal à já mais de 5 anos e combinou um café, com o propósito - pensava eu! - de me espetar na cara o facto de ser feliz no outro lado do mundo.

Nada disso! Estava uma pessoa diferente. Falou-me de uma cultura completamente diferente, em que se podia perder a carteira tendo quase a certeza que lhe seria entregue eventualmente, falou-me da impressionante disparidade entre o Japão industrializado e o Japão rural, falou-se da beleza da língua, das palavras portuguesas que ainda constavam no dicionário japonês, falou-me em japonês (provavelmente chamou-me nomes), falou-me da religião, de como o Japão era fantástico e tudo o que eu poderia querer. Deixou-me com uma vontade indescritível de ir para esse país do Sol Nascente algum dia, visitar o Monte Edo, ver as árvores de que me falou em flor, pintando um quadro cor-de-rosa magnífico. Só tomámos esse café, que durou meio-dia, e separámos-nos indefinidamente. Ela voltou para o Japão e eu voltei para a minha vida pacata.

Sendo que ando sem tempo, caso quem me leia esteja numa situação semelhante, fique sabendo que dia 11 deste mês ocorreu um tenebroso sismo, que causou um maremoto (tsunami se preferirem) de elevadas proporções que devastou o Este do Japão.



É verdadeiramente trágico assistir a este vídeo e imaginar o terror que não será ver o mar galgar o paredão, arrastando tudo à sua passagem. É uma situação horrível que espero nunca viver. As estatísticas de hoje falam-nos de mais de 3 mil mortos e mais de 14 mil desaparecidos!

No entanto, nem tudo é terrível... ou como diz Murphy, podia ser pior. O Japão é o país que melhor preparado está para uma catástrofe deste estilo:
Todas as novas construções nas zonas industrializadas implementam tecnologias anti-sismo.
As cidades costeiras têm geralmente um paredão que separa o cais da cidade (semelhante ao que se pode ver na Costa da Caparica, se bem me recordo. :S ).
As autoridades são preparadas para este tipo de situações.
A cultura japonesa ajudará a elevar o país à sua antiga condição.

Um jornalista estrangeiro ficou surpreendido quando reparou que não havia pilhagens no Japão, algo que acontece _sempre_ quando ocorrem este tipo de desastres. Tem a ver com cultura, orgulho nacional, o facto de os lojistas (mostly) que se safaram terem baixado os preços a tudo e oferecido bens essenciais (água e pão).

E agora vocês pensam: "Ah e tal este gajo é maluco! Estará mesmo a ver lados positivos nisto?!". Imaginem que isto acontece em Portugal, um sismo com epicentro ao largo de Lisboa, a uns 100 Km... A baixa pombalina... Alfama, Santos, as zonas costeiras a enfrentar um tsunami que chegou a atingir 10 metros! E que resposta Portugal conseguiria dar?

Enfim, pelo menos não temos poder nuclear com o qual nos preocupar... a menos que os submarinos se espetem contra os pilares da Ponte 25 de Abril (its a joke!). :)

Não se preocupem, a rapariga em questão está boa de saúde. : )

Odeio catástrofes naturais,
Kenny.

PS: Acabo de reparar que me esqueci de referir algo importante: Google. Mal apareceram os primeiros avisos de sismo no Japão, a Google Japão inseriu no motor de busca um aviso que um enorme maremoto se dirigia para o continente (que foi depois alastrado para outros países do sudeste asiático ). E depois do sismo criou mecanismos para as pessoas se encontrarem umas às outras, uma forma simples de doar e um gabinete de crise. Google did well (don't be evil, for once), Facebook did nothing. :x

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Festival Eurovisão

Os Flor-de-Liz, autores de Todas as Ruas do Amor. source.
Quando era pequeno o Festival da Eurovisão, que começava com a mesma música que os Jogos Sem Fronteiras, tinha o poder de me prender à televisão e ver aquilo de fio a pavio, esperando ansiosamente que Portugal ganhasse. Eu não me recordo da actuação da Dulce Pontes, que muitos consideram a melhor actuação portuguesa de sempre. No entanto recordo-me da Sara Tavares com o seu Chamar a Música, e nem preciso de pensar muito para referir Flor-de-Lis e Vânia Fernandes.

A Sara Tavares cantou uma música que os portugueses muito apreciaram - Chamar a Música - e que ficou no ouvido de quem a ouviu. Ainda hoje conheço a letra e não oiço a música há longos anos!

Recentemente não tenho dado tanta importância ao Festival e nem recordo o que aconteceu em 2010, portanto não vou falar nisso, mas lembro-me claramente do que aconteceu em 2009. Aconteceu 'Todas as Ruas Do Amor' dos Flor-de-Lis. A música é fantástica! A melodia é preciosa e a letra é um poema lindíssimo. Não ganhámos, mas mais uma vez foi com orgulho que vimos uma grande actuação de Portugal no Festival.

Em 2008 a participação também foi positiva com a Vânia Fernandes (tive de googlar o nome, não o recordava) com a música Senhora do Mar. É uma música com uma melodia bonita, e uma letra que - apesar de eu não conseguir apreciar em toda a sua glória - não destoa.

Portugal é um dos inúmeros países que não paga nada no Festival e que, como tal, tem de passar duas pré-eliminatórias para poder estar na final. Os países participantes têm de transmitir todo o Festival ao vivo e em canal aberto, e têm de garantir mais um sem-fim de condições para poderem participar. O Festival é político, e cada vez mais comercial! Mas isso não significa que Portugal não tenha de ser representado condignamente.

Em 1997 ficámos com 0 pontos devido à canção Antes do Adeus cantada por Célia Lawson. Nesta edição também a Noruega teve 0 pontos, o que implica que a concorrência não devia ser assim tão forte. De resto a música não merecia 0 pontos!

Já estão a ver a direcção desta postagem? lol.

Portugal é um dos países denominados clássicos, que costuma cantar na sua língua (elogiada como muito poética por vários países, basta ver os comentários no TuTubo), tocar melodias muito tradicionais, um folk português muito acentuado com influências célticas ou um fado clássico, com letras muito poéticas formando músicas agradáveis ao ouvido com uma excelente aceitação.

O Festival da Eurovisão sempre serviu para mostrar novos talentos, uma espécie de Operação Triunfo (aliás, a Operação Triunfo existe graças ao Festival) organizado a nível europeu, para atingir receitas fantásticas com uma noite de emissão em directo para um público possível de quase mil milhões de pessoas!! E este ano o nosso grande talento é o Jel?! O JEL?!

Vá lá, não havia nada de melhor?! É que se forem à final, que Deus não o permita, vão transmitir aquela imagem de Portugal para centenas de milhões de pessoas! E se traduzirem a letra ainda pior! Ridículo, ridículo, ridículo. É que lá fora a actuação dos Homens da Luta não vai ser vista como uma sátira pois nos países mais centrais do Euro - França, Alemanha, Benelux - a ideia que têm de Portugal é mais ou menos a transmitida. E eles nem cantam bem! E a música é... errr... não muito boa!

Eu gosto da ideia de artistas desconhecidos representarem Portugal, conheço conjuntos - Velha Gaiteira, Vento da Líria - que fariam muito mais, e que provavelmente conseguiam catapultar a carreira com a presença no Festival. Porque raio o Jel ganhou? Quem votou nele? Bolas!

Primeiro o Cavaco vence à primeira volta, e agora isto?

Enfim, estou triste com isto. Todas as Ruas do Amor é uma música lindíssima, A Luta é Alegria não é música.

Agora sei que estamos mesmo em crise,
Kenny.

Outras entradas portuguesas:
1998 - Alma Lusa - Se eu te pudesse abraçar - 12º posto com 36 pontos
1996 - Lúcia Moniz - O meu coração não tem cor - 6º posto com 92 pontos
1993 - Anabela - Cidade até ser dia - 10º com 60 pontos
1989 - Da Vinci - Conquistador - 16º com 39 pontos (mas toda a gente recorda isto!)

Entradas referidas na postagem:
1991 - Dulce Pontes - Lusitana Paixão - 8º com 62 pontos.
1994 - Sara Tavares - Chamar a música - 8º com 73 pontos.
2008 - Vânia Fernandes - Senhora do Mar - 13º com 69 pontos; na semifinal 2º com 120 pontos.
2009 - Flor-de-Lis - Todas as ruas do amor - 15º com 57; na semifinal 8º com 70 pontos.

Curiosidades:
Portugal não quis participar em 2002, a Letónia substituiu-nos acabando por vencer o Festival.
Portugal terminou em último 3 vezes, não tendo conseguido pontuar um par de vezes.
Há o mito que a Dulce Pontes terminou no 3º lugar quando participou.
Mais de 60 pontos costumam garantir o top 10, que conseguimos 9 vezes.

terça-feira, 8 de março de 2011

O Meu Quarto

O buraco onde trabalhava antes de arrumar o quarto. lol.
Não tenho actualizado o blog com a frequência habitual porque estou a arrumar o quarto. O meu quarto é como um templo, o sítio onde trabalho, imagino, divago, escrevo, brinco, armazeno, leio, oiço, medito, choro, penso e contemplo. O sítio que guarda as minhas meninas, as minhas 3 guitarras que mais diferentes não podiam ser, sítio que esconde até 6 computadores, uns para reparar outros para trabalhar, local onde me refugio quando estou em baixo e onde construo bases para sair com a força necessário para sobreviver mais um dia.

O meu quarto não é só meu. Partilho o quarto com o meu irmão mais velho, que há já vários anos não dorme três noites seguidas na cama que aqui tem. Mas o quarto também é dele, pois o quarto guarda muito dele e não falo apenas das coisas. Falo de um pedaço dele, mesmo! Quando era pequeno tinha medo de dormir, só me sentia seguro quando olhava para o lado e o via a ressonar que nem um motor de rega. E eu queixava-me do equipamento sonoro, mas agradecia a calma que ao mesmo tempo me transmitia saber que ele estava ali...

O meu quarto é pequeno. É pequeno e está atafulhado de tralha, mas é acolhedor. Muito acolhedor. As minhas memórias, bocados grandes da minha vida, tudo o que sou se consegue definir pelo meu quarto. A bola de futebol num canto, as estantes cobertas de livros, as guitarras sempre desarrumadas, o rádio e a colecção bem antiga de cd's, os monitores dos computadores que debitam informação, os sensores do projecto que piscam ansiosamente querendo mostrar serviço, as camas feitas mas desarrumadas, os pobres sapatos meio escondidos, os tapetes fofos e neutros, o sofá onde leio nas tardes de Verão, a mesinha de cabeceira coberta de livros, o quadro com um puzzle que fiz há anos, os pequenos peluches e figuras que guardam valiosas memórias, as prendas de quem me queria, o cachecol de apoio à Selecção Nacional, o gorro de Pai Natal, os estojos recheados de canetas e lápis, os velhos blocos de apontamentos com anos e anos de histórias, uma caixa que em tempos guardou um par de alianças que hoje vivem no leito profundo de um rio, um puzzle desfeito que descansa sob a manta que cobre a secretária, o caixote do lixo com montes de folhas escritas que não me satisfizeram e nunca serão lidas, o imperial guarda-fatos incrustado na parede, a varanda que eu nunca consegui aproveitar, o chapéu de marca que me custou 10 contos faz mais de uma década e que agora repousa no cabide da porta, como um troféu à minha própria estupidez...

O meu quarto sou eu, são as minhas memórias, e mesmo que eu parta desta cidade, deste país ou até deste mundo, o meu quarto vai sempre mostrar quem sou. Quando o arrumo faço-o com reverência, como tratando um amigo de longa data que caiu ferido, como um amor que se tenta reparar, como um pedaço de mim que quero recuperar. E por isso demoro, demoro mas recordo, recordo e reflicto, reflicto e sorrio. Eu gosto de quem sou, apesar de tudo o que passei, gosto mesmo de quem sou. Considero-me um génio, considero-me o gajo mais sexy do universo, mas não é por isso que gosto de quem sou. Está antes relacionado com todas a minhas vivências e tudo o que tive de superar para chegar onde estou. No meu quarto! :-)

O meu quarto é a minha face, está sempre em mutação, e agora, olho à volta e vejo projectos e mais projectos, vejo movimento, vivacidade, mudança e génio. Porque trabalho e trabalho e trabalho na esperança de criar algo único... Adoro o meu quarto!

Com o quarto arrumado,
Kenny.